Itaperuna decide hoje o futuro político de Alfredão: contas reprovadas pelo TCE vão a votação na Câmara

A sessão desta terça-feira (11), marcada para as 13h na Câmara Municipal de Itaperuna, promete ser uma das mais tensas dos últimos anos. Os 13 vereadores irão decidir se acompanham ou não o parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), que reprovou as contas do ex-prefeito Alfredo Marques Rodrigues, o Alfredão.

A votação é decisiva: caso os vereadores confirmem o parecer do Tribunal, Alfredão poderá ficar inelegível, perdendo o direito de disputar eleições futuras. No entanto, há precedentes em Itaperuna que reacendem o debate sobre a autonomia do Legislativo municipal.

Antes da votação, o ex-vereador Glauber Bastos se manifestou nas redes sociais, declarando solidariedade a Alfredão e classificando o julgamento como uma tentativa de “assassinato político”.

“Estão assassinando o direito político de um homem que dedicou anos ao município”, escreveu Glauber em uma publicação que gerou ampla repercussão local.

A sessão deve atrair forte presença de apoiadores e adversários do ex-prefeito, com a expectativa de uma votação apertada e carregada de discursos políticos.

A discussão ocorre em meio a um cenário de crise financeira e dívidas acumuladas deixadas nos últimos anos, que continuam impactando a atual administração.
O ponto que chama atenção é que o atual prefeito, Emanuel Medeiros (NEL), era vice-prefeito de Alfredão, e agora enfrenta um momento político delicado, com licitações milionárias e cortes de gastos que já geram críticas entre servidores e moradores.

Nos bastidores, há quem diga que a mesma situação que atinge Alfredão hoje pode, no futuro, alcançar o atual gestor, caso as contas da atual gestão também enfrentem ressalvas do TCE.

A votação desta terça-feira vai além da análise técnica de números e balanços. Representa, segundo analistas locais, um divisor de águas na política itaperunense, que historicamente tem usado a Câmara como última instância para reabilitar ou enterrar carreiras políticas.

Independentemente do resultado, o caso Alfredão reacende a discussão sobre responsabilidade administrativa, alianças políticas e o poder da Câmara em definir o futuro político de seus ex-prefeitos.

Por Nathália Schwartz