
Nesta quarta-feira (08), o distrito de Boa Ventura, em Itaperuna, foi palco de um grave episódio envolvendo abuso de poder e suposta perseguição política. O caso ocorreu quando o policial militar Welington Negão, suplente de vereador pelo PL e conhecido cabo eleitoral do governo Nel e Jair Neto, foi até a Unidade Básica de Saúde (UBS) local e ordenou que a servidora pública Maria José Ferreira, de 69 anos, deixasse seu posto de trabalho e permanecesse “à disposição em casa”. Maria José é mãe do vereador reeleito Jefferson Ferreira, opositor declarado da atual administração.
A abordagem foi realizada de forma verbal e sem qualquer respaldo documental ou administrativo. Segundo o registro de ocorrência nº 143-00080/2025, feito na 143ª Delegacia de Polícia de Itaperuna, Welington teria agido a mando do Secretário de Governo Tiago Lopes. Funcionários da UBS que presenciaram o episódio relataram o tom autoritário e intimidatório utilizado pelo policial, que ignorou alertas sobre a gravidade de sua conduta e o possível enquadramento legal como abuso de autoridade.
Maria José, que acumula mais de 30 anos de serviço público, descreveu o episódio como constrangedor e humilhante. “Eu não fui informada oficialmente por nenhum órgão, nem pela Secretaria de Saúde, sobre qualquer alteração no meu vínculo ou função. Não entendo o motivo de me tirarem do meu posto de trabalho dessa forma”, declarou em seu depoimento à polícia.
O episódio foi gravado por câmeras e celulares de testemunhas, que capturaram a abordagem de Welington. Nas imagens, é possível ver o policial ignorando os apelos de funcionários e outros presentes, que tentaram argumentar contra a ordem arbitrária. De acordo com relatos, o clima no local era de perplexidade e indignação.

“A ordem foi dada sem nenhum respaldo oficial, apenas verbalmente. Isso não é só uma violação dos direitos da servidora, mas um grave exemplo de abuso de poder e desrespeito à administração pública”, comentou uma das testemunhas, que preferiu não ser identificada.


Maria José é mãe do vereador Jefferson Ferreira, um opositor firme da gestão Nel e Jair Neto, o que gerou especulações de que o ato tenha sido uma retaliação política disfarçada de procedimento administrativo. A ligação do policial militar Welington com o governo é evidente: além de aliado declarado da gestão, ele atuou como cabo eleitoral nas últimas eleições municipais.
Para opositores, o caso revela o uso político da máquina pública como forma de intimidação. “É inaceitável que, em pleno século XXI, servidores públicos sejam tratados dessa maneira, principalmente quando há indícios claros de motivações políticas”, declarou um analista político local.
A denúncia agora está sob investigação da 143ª Delegacia de Polícia de Itaperuna. O registro inclui depoimentos de testemunhas e vídeos que detalham a abordagem do policial. Especialistas jurídicos ouvidos apontam que, caso fique comprovado o envolvimento do Secretário de Governo Tiago Lopes e a ausência de respaldo administrativo, o caso poderá configurar não apenas abuso de autoridade, mas também improbidade administrativa e outros crimes relacionados.
Entramos em contato com o Secretário de Governo Tiago Lopes, mas, até o momento da publicação desta matéria, não recebemos resposta.
Fontr: Guia do Estado















