
Veja abaixo como um analista político por nós ouvido descreveu com minúcias o “outro lado da moeda” da desistência de Jair Bittencourt da candidatura à reeleição:
“ Como já havia sido analisado, o deputado Jair Bittencourt enfrentaria uma eleição muito difícil neste ano, correndo o risco até de não se reeleger tendo em vista que as eleições de 2024 não favoreceram a maior parte dos seus aliados no interior.
O fato de o deputado ter ajudado a eleger o prefeito de Itaperuna, sua base eleitoral, não lhe deu margem folgada para lhe garantir a manutenção do seu espaço político que o ajudou a se reeleger em 2022.
O deputado já havia perdido a liderança em diversas cidades do Noroeste tendo deixado de ser o candidato oficial em Miracema, Bom Jesus do Itabapoana, Varre-Sai, Porciúncula, Laje do Muriaé e continuando sem ser o candidato oficial em Natividade e São José de Ubá, permanecendo apenas com Itaperuna e Italva.
O caso de Itaperuna ainda é mais curioso, porque em 2022, Jair fez aliança com o então candidato a deputado federal Murilo Gouvêa, tendo se beneficiado do máquina governista sem ser cobrado diretamente pelos problemas administrativos e o desgaste de quem está no poder, diferentemente de agora, cujo governo está totalmente vinculado a sua figura e, portanto, o ônus e bônus recaem sobre a sua imagem política.
A desistência do deputado Jair Bittencourt em concorrer à reeleição tem várias nuances. Uma delas é que a sua nomeação como secretário de Governo a partir desta segunda-feira, o coloca em posição de impedimento para que seu nome seja cogitado como candidato a candidato à presidência da Alerj.
Quem já se esqueceu da sua ambição de disputar a presidência da Alerj contra Rodrigo Bacellar em 2023?
Naquele momento político, Jair se posicionou traiçoeiramente em rota de colisão contra Rodrigo Bacellar, então candidato à presidência da Alerj com o apoio do governador reeleito Cláudio Castro.
Após pressões políticas, Jair retira a sua candidatura e declara apoio a Bacellar. Porém, como punição, perdeu a secretaria que estava programada para ser “sua”, a secretaria de Agricultura, posto que já havia ocupado na gestão de Luiz Fernando Pezão, após outro gesto de traição, dessa vez contra os ex-governadores Garotinho e Rosinha.
Jair foi eleito deputado estadual a primeira vez em 2014, com o apoio decisivo da família Garotinho e do então prefeito de Itaperuna, Alfredão. Sem esses apoios, Jair jamais teria sido eleito deputado estadual pelas próprias pernas, porque além de lhe faltarem votos, havia sido prefeito de Itaperuna tendo realizado um governo tão mediano que sequer teve coragem de disputar a reeleição.
O candidato apoiado pelo grupo de Jair foi o dr. Elias Daruís, seu então secretário de saúde. Dr. Elias Daruís foi acolhido como candidato a prefeito e conseguiu uma boa votação graças ao prestígio do ex-prefeito Péricles, líder do PP local.
Daruís quase foi eleito, não foi porque na véspera da eleição o então prefeito Jair Bittencourt teve uma quantidade considerável de dinheiro preso no Hotel Caiçara em uma mala que até hoje continua famosa…
O escândalo impactou a imagem da campanha de dr. Elias Daruís que tinha com vice o dr. Alahyr Gouvêa . O escândalo da mala do Jair, como ficou conhecido, causou um estrago enorme e grande polêmica, dando a vitória ao ex-prefeito e não menos querido e popular Claudão, que tinha como vice o Fernando Paulada.
O governador Cláudio Castro em sua fala, ao anunciar o Jair Bittencourt como novo secretário de Governo, tentou traçar uma narrativa que desse um verniz de que o deputado Jair estaria sendo prestigiado e num movimento de ascensão política.
O governador chegou inclusive a afirmar que o Jair Bittencourt estaria abrindo mão de uma reeleição “certa”? Mas isso não passou de uma gentileza do governador.
A verdade é que Jair abriu mão do risco da derrota e, ao assumir a Secretaria de Governo, foi eliminado de qualquer possibilidade de entrar na disputa pela presidência da Alerj e também na disputa pela sucessão de Cláudio Castro na eleição indireta.
Sobre o posto que Jair Bittencourt passa a ocupar.
Quem ocupava a Secretaria de Governo de Cláudio Castro até então? André Moura, político do Sergipe sem vínculos políticos com a política fluminense, sem relações com prefeitos e sem história no Estado do Rio.
Jair assume essa Secretaria, com orçamento já definido e limitado ao seu estilo de fazer política. Ao colocar seu filho como pré-candidato a deputado estadual em seu lugar, não há nenhuma garantia de que Jair Neto será eleito, ainda mais se considerarmos que o pai já corria riscos.
Jair Neto, sem experiência e vivência política, dificilmente conseguirá desenvolver condições que lhe garantam uma eleição mesmo com ampla estrutura porque a região estará aberta a partir de agora.
O governador ao retirar Jair da eleição abre espaço político para outros aliados, principalmente no Norte e Noroeste Fluminense. E a campanha do candidato oficial a governador Douglas Ruas, precisará da atuação de Jair de forma imparcial, sem favorecer o filho candidato, sob o risco de criar um racha na base governista num momento em que diversos deputados estaduais estarão em campanha pelas suas reeleições e Jair na Secretaria de Governo terá que ser imparcial para não atrapalhar a campanha de Douglas Ruas.
Uma possível derrota de Jair Neto para deputado estadual em outubro deste ano e a falta de mandato de Jair Bittencourt a partir de janeiro de 2027, mesmo com a manutenção da sua posição de secretário de alguma pasta, jamais terá o mesmo peso político de alguém com mandato na Alerj.
As mídias aliadas tentam dar uma narrativa emocionada sobre esse momento como se o deputado estivesse em posição de privilégio, mas na verdade, político sem mandato não tem poder, e político sem poder, não tem influência.”





