
O Rio de Janeiro amanheceu sitiado, o que deveria ser uma ofensiva cirúrgica contra o crime organizado terminou em uma das operações mais sangrentas dos últimos anos.
Quatro policiais, dois civis e dois do Bope foram mortos nesta terça-feira (28) em confrontos nos complexos do Alemão e da Penha, redutos do Comando Vermelho na Zona Norte da capital.
Cerca de mil agentes participaram da ação, planejada para capturar líderes do tráfico responsáveis pelos recentes ataques a ônibus e à população,mas o que se viu foi uma guerra urbana em plena luz do dia: rajadas de fuzil, helicópteros sobrevoando becos, barricadas em chamas e moradores correndo em meio ao tiroteio.
No fim, o saldo foi devastador quatro heróis tombaram em nome da segurança pública.
O inspetor que foi promovido um dia antes de morrer; Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, de 51 anos, conhecido como Máskara, era o símbolo da experiência e da entrega. Chefe de investigações da 53ª DP (Mesquita), recebeu a promoção sonhada na véspera da operação não teve tempo de celebrar ,foi atingido durante o confronto e morreu no local.
O agente Rodrigo Velloso Cabral, de 34 anos, tinha apenas 40 dias de Polícia Civil,abandonou a antiga profissão para realizar o sonho de servir.,sonho interrompido por um tiro na nuca, disparado por criminosos escondidos no alto do morro.
“Ele mandou foto com a farda nova para todo mundo da família. Estava radiante”, relatou um amigo.
Agora, a farda virou símbolo de dor.
Também caíram em combate os homens do Bope ;Cleiton Serafim Gonçalves, 3º sargento, e Herbert, cujo sobrenome ainda não foi divulgado oficialmente.
Cleiton havia sido guarda municipal em Volta Redonda antes de vestir o preto da tropa de elite,eles estavam na linha de frente da incursão e foram surpreendidos por tiros vindos de uma laje.
O governador Cláudio Castro decretou luto oficial de três dias. Nas delegacias e batalhões, o clima é de desolação e bandeiras a meio-mastro, olhos marejados, silêncio pesado.
Nas redes sociais, as homenagens se multiplicam: “Heróis de farda”, “não serão esquecidos”, “morreram servindo”.
“Esses homens saíram de casa para proteger a sociedade e não voltaram. É um dia de dor para toda a polícia do Estado”, declarou o secretário de Polícia Civil, Marcus Amim.
Enquanto famílias choram seus mortos, o Rio revive o mesmo drama que se repete há décadas: a guerra que não termina, a violência que renasce em cada operação.
As investigações tentam entender o que deu errado mas nas ruas, a pergunta é outra: quantas vidas ainda serão sacrificadas nessa guerra sem fim?
Marcus, Rodrigo, Cleiton e Herbert.
Quatro nomes. Quatro histórias.
Quatro homens que acreditaram na farda — e pagaram com a própria vida.
Por Nathália Schwartz
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