Respeitada professora Rita de Cacia Marreiros Valleriote
Durante 23 anos a professora Rita Valleriote atuou como diretora do CEDERJ em Itaperuna/RJ com grande reconhecimento profissional pelos professores e alunos que por lá passaram. Vale lembrar que ela atuava desde o último mandato do ex-prefeito Péricles Olivier sem nenhuma ingerência política, mas agora as coisas parecem ter mudado de figura.
Em suas redes sociais ela fez um desabafo que parece ter sido endereçado a algum político como vemos abaixo:
“ Após 23 anos de dedicação à Educação a Distância, chega ao fim um ciclo repleto de desafios, conquistas e aprendizados. Mais do que um local de trabalho, o Polo CEDERJ de Itaperuna foi palco de histórias marcantes e laços que vão muito além do profissional.
Para celebrar essa jornada e expressar a gratidão por todos que a tornaram possível, foi realizada uma confraternização de despedida junto aos seletos colegas de trabalho. Este momento especial simboliza não apenas o fechamento de um capítulo, mas também o início de novos caminhos que se abrem com esperança e propósito. A todos os colegas, parceiros e amigos, fica o mais sincero “muito obrigada” por cada colaboração, cada conversa e cada desafio superado juntos. Levarei comigo as memórias e os ensinamentos dessa trajetória inesquecível. Que este encontro tenha sido uma oportunidade de celebrar não o fim, mas a continuidade da amizade e do respeito mútuo que construímos ao longo desses 23 anos. Só lamento pela forma como algum político tenha agido de forma diferente dos discursos sobre ética, cidadania e democracia e na verdade não contribui com a valorização da Educação do nosso querido município. Ficou no ar a pergunta: qual o motivo?”
Despedida realizada por amigos e colegas para a professora Rita de Cacia Marreiros Valleriote
Na última sexta-feira (01), o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (SEPE) e a Secretaria Municipal de Educação de Itaperuna protagonizaram um momento histórico ao chegarem a um acordo significativo durante uma intensa negociação durante 2023, que representou uma luta de três décadas. As deliberações giraram em torno do Plano de Cargo e Remuneração, trazendo mudanças substanciais para os profissionais da educação no município.
Uma das medidas mais aguardadas e celebradas foi o reajuste de 14,95% destinado a todos os profissionais de educação, incluindo técnicos administrativos e de apoio. Esse aumento entrará em vigor a partir de janeiro de 2024, representando um avanço significativo nas condições salariais desses profissionais tão essenciais para o sistema educacional.
Outro ponto de destaque foi o comprometimento em efetuar o pagamento do reajuste de 14,95% para todos os professores e professoras a partir de janeiro de 2024. Esse aumento é referente ao reajuste do piso nacional estabelecido em janeiro de 2023, demonstrando o compromisso da Secretaria Municipal de Educação de Itaperuna em manter a valorização dos educadores.
Uma importante conquista resultante da negociação foi o acordo para pagamento da diferença da retroatividade do reajuste do piso nacional dos professores, referente ao período de janeiro de 2023 a dezembro de 2023. Esse montante será distribuído em 12 parcelas, com início em janeiro de 2024. Essa decisão representa um reconhecimento da importância de equilibrar as condições salariais dos professores de acordo com as determinações nacionais.
Além dos reajustes salariais, a negociação incluiu um compromisso da SEMED de realizar um Concurso Público em 2024. A iniciativa visa suprir a escassez de profissionais da educação, contribuindo para a qualidade e eficiência do ensino no município.
O Secretário Municipal de Educação, Olliver Barros, enfatizou a importância dessas decisões para a valorização e reconhecimento dos profissionais da educação em Itaperuna. “Estamos comprometidos em fortalecer o sistema educacional de Itaperuna, proporcionando condições dignas de trabalho e salários justos para nossos profissionais. Essas medidas refletem nosso respeito pelo papel crucial desempenhado pelos educadores em nossa sociedade, com uma educação pública de tempo integral e de qualidade.”
No último sábado (11), a Escola Municipal Humberto de Campos promoveu um evento marcante em parceria com a Secretaria de Educação e Bruno Alves. A iniciativa, que visou promover o empoderamento feminino, concentrou-se em um programa de autodefesa exclusivo para mulheres, direcionado especialmente às mães e filhas do 5º ano.
O evento buscou capacitar as participantes com técnicas essenciais de autodefesa, proporcionando-lhes ferramentas valiosas para enfrentar situações desafiadoras no dia a dia. Sob a coordenação conjunta da Secretaria de Educação e Bruno Alves, o programa não apenas abordou aspectos físicos da autodefesa, mas também promoveu a conscientização sobre a importância do empoderamento feminino.
A participação ativa das mães e filhas do 5º ano evidenciou o impacto positivo da ação, consolidando-a como um passo significativo na promoção da segurança e empoderamento das mulheres na comunidade local. O evento na Escola Municipal Humberto de Campos não apenas reforçou a importância da autodefesa, mas também reafirmou o compromisso das autoridades locais em criar espaços educativos que valorizem e promovam a igualdade de gênero.
Escritor e especialista em desenvolvimento humano Rossandro Klinjey proferiu palestra no Teatro RioMar, no Recife. Abordou o papel da família e deu dicas de como enfrentar os desafios na educação de crianças e adolescentes. Palestra no Shopping Rio Mar com o psicanalista Rossandro Klinjey sobre os desafios da família na educação dos filhos. O psicólogo, escritor e especialista em desenvolvimento humano Rossandro Klinjey fala do papel da família, escola e professores. E dá dicas de como enfrentar os desafios na educação de crianças e adolescentes. Ele participou, semana passada, de uma palestra no Teatro RioMar. FAMÍLIAS As pessoas perderam a capacidade de educar seus filhos. Não sabem dar limites, não conseguem mais passar valores, manter e aprofundar laços afetivos. Isso acarreta em grandes prejuízos. Criança não nasce pronta. É um projeto que temos que estar o tempo inteiro investindo para que ela possa desenvolver seu pleno potencial. Quando pais chegam nas escolas, nos consultórios de pediatras e de psicólogos dizendo ‘eu não sei mais o que fazer com essa essa criança’ mostra uma geração de pais que se perdeu na tarefa belíssima, mas muito trabalhosa, de educar um ser humano. A construção das relações parentais se perdeu. A tarefa de educar emocional e moralmente um filho pode ter contribuição da escola, mas é sobretudo da família e ninguém pode terceirizar isso.
Foto: Guga Matos/JC Imagem
CANSAÇO Os pais estão perdidos. Precisam admitir que se perderam nesse processo. Devem buscar construir competências para se tornar pais educadores. Pai e mãe não são aqueles que geram. Animais geram mas não educam. Um gato não educa um gato porque é resposta instintiva. Um ser humano não é só pra ser gerado, precisa ser educado. Educar implica a vida toda, estar conversando, dialogando. Hoje duas coisas a gente percebe. Uma é a preguiça. Os pais chegam em casa e dão o celular ao filho para que eles possam ver uma série, assistir ao jornal. A criança tem necessidade grande de contato, de olho no olho, de interação. Basta brincar 15 minutos que ela está satisfeita. Mas muitas vezes nem isso elas têm. Há preguiça ou incompetência dos pais. Quando junta os dois, o caos é bem anunciado. PROFESSORES Quando a família falha na tarefa de educar o filho joga para a escola essa criança deseducada. Ao não respeitar pai e mãe, a criança não aprende a dar relevância e importância à hierarquia. E não vai respeitar quem vem depois, que são os professores. Os docentes vivem com síndrome de burnout, depressão, crises de ansiedade. Hoje a escola percebeu que não adianta mais acusar os pais que eles estão perdidos ou apenas diagnosticar isso. Entendeu que precisa colaborar. Estamos vendo o preço da incapacidade de educar. E nesse momento da dor, suicídio infantil e juvenil que quase não existiam 20 anos atrás se tornarem uma coisa quase epidêmica globalmente. É quando a dor é muito alta que a gente percebe que tem algo muito errado e é preciso reverter esse quadro. EMOÇÕES O socioemocional é muito bem vindo na escola. Mas tem que construir competências e ser aplicável. Ler ética não torna uma pessoa ética. Temos que fazer o letramento das emoções, sobretudo porque é uma geração de filhos cujos pais não tiveram isso. Hoje o socioemocional é mais importante do que 40 anos atrás. A gente quer equilibrar um modelo que não seja o da família quartel, como no passado. Nem muito menos uma família hotel, como hoje em dia, que ninguém tem compromisso com ninguém. Precisamos construir um lar em que as pessoas se relacionem, aprofundem esses relacionamentos e que os pais passem valores para construção de competências mínimas para essa crianças e adolescentes viverem um mundo que muito mais complexo do que era quando nós fomos crianças e adolescentes. Agora é muito mais sedutor e perigoso. Não tínhamos redes sociais, não tínhamos cyberbulling, tantas coisas que distraem. Então a tarefa de educar hoje é muito mais complicada e exige mais ajuda que no passado.
PARCERIA A relação da família com a escola é fundamental. Muitas escolas não têm sabido. Pensam mais que é reunião de avisos no início do ano. É preciso que se coloque os pais como alunos da escola. Que a escola também forneça conteúdos para os pais e não somente para os filhos. Professores e pais não são concorrentes. Têm o mesmo objetivo, transformar seres humanos em pessoas melhores.
TAREFAS ESCOLARES A criança valoriza o que é importante para família. Se todo mundo se senta para assistir a um jogo ou uma série, se senta para beber e ninguém se senta para estudar está claro na cabeça daquela criança que conhecimento não é importante naquela família. É uma obrigação a ser cumprida. E tudo que é feito com desprazer e sem propósito, eu não vejo sentido. Não consigo passar horas com meu filho vendo série ou desenho animado? Por que eu não posso estar juntos, mesmo que eu esteja fazendo meu trabalho, na hora da tarefa? É um momento na família, é um ritual, em que o conhecimento acontece. Como reagir diante da necessidade vai depender do perfil de cada filho. Agora ignorar a educação e deixar ele se virar não é uma resposta.
LIMITES Engraçado porque antigamente as pessoas tinham 15 filhos e não havia dificuldade de dar limite. Hoje com dois filhos não conseguem. Talvez se absorveu equivocadamente um discurso de que dar limites era uma coisa que tolhia a criança. Talvez porque esses pais foram criadas por pais muito abusivos e desenvolveram o sentimento de que com seus filhos seria diferente. As motivações são diferentes, vão variar em cada família. Mas uma coisa é certa: sem esses limites, a personalidade não se forma adequadamente e de maneira madura.
CASTIGO EDUCA? Às vezes, depende do contexto familiar. A criança precisa entender que o que ela faz vai tem repercussão. Se não tiver repercussão nenhuma, vai mudar o comportamento? Por exemplo, tirou nota baixa. É normal? Continua indo para o shopping? Nada mudou. Como vai mudar se percebe que tem um preço por aquele comportamento? O ideal é ter regras. É fundamental aprender desde cedo a construir e seguir regras e entender que nem tudo é como eu quero. Se eu não souber viver numa comunidade, vou ser uma pessoa tóxica, difícil, intolerante. isso tem comprometido muito as famílias.
CULPA A culpa não leva ninguém a nada. Paralisa a gente. Nos fornece uma sensação de incompetência profunda. A culpa só tem uma função. Gás de cozinha não tem cheiro. Mas se você entrar em casa com o gás vazando sem cheiro num seria um perigo? A indústria coloca um cheiro pra alertar você a ir lá e fechar o botijão. Então a culpa é para te alertar, para dizer olha, melhora isso. Não é pra ficar te torturando. O ideal é trocar a culpa por responsabilidade. O que está me dando culpa? Vamos tentar resolver. Aceita. Nunca você será um pai perfeito. Nós somos os pais possíveis, somos o marido, companheiro, esposa, possível. Se cria uma ideia de excepcionalidade, você nunca bate a meta e estará sempre se sentido devendo. Isso esgota qualquer pessoa.
RECADO Nas minhas palestras, nunca deixo de dizer que é importante dar limite, ter regras claras e manter um espaço para o sagrado nas famílias. As pessoas perderam espaço do sagrado. Não tem Deus em muitas famílias. Não importa qual religião. As crianças quando ficam adolescentes vão se decepcionar com os pais, é natural, somos seres humanos, incoerentes e incongruentes. Nesse momento de vulnerabilidade vão procurar uma personalidade que não seja os pais, alguém pra se inspirar, um jogador de futebol, um TikTok da vida. Se ela tiver tido a experiência do sagrado, ela vai migrar para um ser que é perene, não altera os humores, que tem o comportamento sempre o mesmo e é cheio do amor. Quando os pais não oferecem espaço para construção do sagrado deixam um gap. Não quero dizer que família que não acredita em Deus não vai ter jeito. Não é isso. Conheço famílias que não têm crença religiosa e que educam seus filhos perfeitamente. Mas ajuda muito essa experiência do sagrado na família. É algo fundamental a gente perceber como é importante ter esse quadro de valores. Tem pais que dizem que não querem forçar a barra, impor a seu filho. Mas você num impõe a escola? Ofereça a sua religião, a sua crença. Se seu filho mudar mais na frente, ao menos terá uma base. Até para saber o que vai mudar.