
A matemática da gestão pública em Itaperuna é perversa: mais de R$ 50,5 milhões em licitações milionárias, mas salários cortados, servidores desvalorizados e uma Câmara silenciosa diante do que se tornou o retrato da contradição política no município.
Sob o comando do prefeito Emanuel Medeiros Nel, a Prefeitura alega “crise financeira” e publicou o Decreto Municipal nº 7.659/2025, que reduziu a carga horária, suspendeu gratificações e impôs cortes que afetam diretamente o funcionalismo público — o coração da máquina municipal.
Enquanto os servidores perdem renda e dignidade, os editais milionários seguem sendo abertos em ritmo acelerado. O mais recente, Edital nº 006/2025, prevê R$ 31.580.056,98 para pavimentação e manutenção de vias públicas. Antes dele, outro processo de R$ 19 milhões foi lançado para limpeza urbana.
Somados, são mais de R$ 50,5 milhões em contratos uma cifra que escancara o abismo entre o discurso de austeridade e a prática do poder.
“Cortaram nossas horas, nossas gratificações, mas o dinheiro para licitação aparece. É revoltante”, relata uma servidora indignada.
Mais grave ainda é a omissão da Câmara Municipal de Itaperuna. Os 13 vereadores, eleitos para fiscalizar o Executivo, permanecem calados. Nenhum pedido de esclarecimento, nenhum questionamento público, nenhuma defesa dos servidores ou da transparência.
A indignação cresce entre funcionários e cidadãos que já não acreditam no discurso da crise.
Enquanto o trabalhador paga a conta, o governo soma milhões e o silêncio político vale mais que a voz do povo.
Por Nathália Schwartz
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