CRISE PARA OS SERVIDORES, FESTA PARA OS CONTRATOS: AS PRIORIDADES DUVIDOSAS DE ITAPERUNA

Nel Medeiros

Nos últimos dias, o Município de Itaperuna voltou ao centro do debate público ao editar um decreto de contenção de despesas. A medida, segundo a administração, busca equilibrar as contas, reduzindo custos e garantindo a “responsabilidade fiscal”.
No papel, parece louvável. Na prática, porém, o discurso não se sustenta diante dos gastos milionários que a Prefeitura insiste em manter — especialmente quando quem paga a conta do ajuste não são cargos comissionados ou contratos vultosos, mas sim os trabalhadores efetivos, que tiveram verbas de gratificações suprimidas.
Enquanto servidores públicos veem seus rendimentos diminuídos, a gestão municipal promove licitações cujo volume financeiro vai na contramão da alegada crise. Um exemplo emblemático é o contrato para coleta de lixo, que chega à casa dos 19 milhões de reais. Em qualquer cidade, lixo é um serviço essencial — mas essa cifra astronômica levanta questionamentos inevitáveis sobre critérios e proporção.
Outro gasto que chama atenção é a licitação de 4 milhões de reais para contratação de agência de publicidade. Em tempos de “aperto”, a prioridade do governo realmente deve ser propaganda institucional? Qual mensagem a Prefeitura quer divulgar — a de que falta dinheiro para valorizar seus servidores, mas sobra para campanhas de comunicação?
E não para por aí. Mesmo com um convênio vigente com o DER, por meio do qual o Estado já fornece a massa asfáltica ao município — ou seja, o insumo básico para recuperação de vias — Itaperuna ainda resolveu licitar a compra de mais massa asfáltica, em valores milionários. Se o produto é cedido pelo Estado, por que tamanha necessidade de gasto público adicional? Falta de planejamento? Interesse em inflar números? Ou simplesmente o velho hábito de gastar quando e onde não deveria?
O cenário expõe uma contradição que precisa ser discutida:
quem realmente está sendo chamado a “sacrificar” em nome do equilíbrio fiscal?
A contenção de despesas parece atingir sempre os mesmos — os trabalhadores que mantêm a máquina pública funcionando, apesar das dificuldades. Enquanto isso, contratos de cifras impressionantes seguem fluindo com uma facilidade que desafia a lógica e a responsabilidade administrativa.
Itaperuna merece transparência. Merece prioridade em áreas que realmente impactam o cidadão.

Merece uma gestão que corte privilégios — não direitos.
Se a crise é real, que seja enfrentada com seriedade e justiça. Caso contrário, estaremos diante apenas de mais um capítulo em que o peso do ajuste recai sobre quem menos pode suportá-lo, enquanto velhos gastos continuam intocados, silenciosos e milionários.

Veja link abaixo mais detalhes dos contratos milionários do governo Jair Bittencourt, Nel e Neto:


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