
Por Nathalia Schuwartz
A execução de Guilherme Leite Quadros, de 19 anos, dentro de uma lanchonete na Praça Carlito Crespo Martins, no bairro Cehab, na noite desta quinta-feira (2), não pode ser tratada como um episódio isolado. O crime, cometido por homens armados em uma motocicleta, marcou o quinto homicídio em menos de uma semana em Itaperuna, escancarando uma realidade de violência crescente e investigações paralisadas que têm alimentado a sensação de abandono da população.
A dinâmica do crime segue um padrão já conhecido em Itaperuna: homens em motocicletas, execução rápida, fuga sem rastros e ausência de prisões. A 143ª Delegacia de Polícia, responsável pelas investigações, não apresentou até o momento suspeitos ou indícios concretos sobre a autoria. O caso pode estar ligado à disputa entre facções criminosas que disputam o controle do tráfico na região, mas a falta de respostas efetivas das autoridades reforça a sensação de impunidade.
Nos últimos anos, Itaperuna tem acumulado estatísticas preocupantes. Dados oficiais já colocaram o município entre os mais violentos do interior do Rio de Janeiro, com taxas de homicídio acima da média estadual. Porém, a cada crime sem solução, a confiança da população no poder público diminui.
Especialistas em segurança pública apontam que a violência em cidades do interior, como Itaperuna, é alimentada por três fatores principais: a ausência de policiamento ostensivo, a fragilidade das investigações e a expansão das facções criminosas. A combinação desses elementos cria um cenário de insegurança permanente, no qual a vida de jovens, como a de Guilherme, é interrompida sem que haja perspectiva de justiça.
A escalada da violência não se traduz apenas em números, mas em impactos sociais profundos: famílias destruídas, estabelecimentos comerciais acuados e moradores que evitam circular em espaços públicos após determinados horários. A Praça Carlito Crespo, palco do assassinato mais recente, simboliza esse contraste: de espaço de convivência comunitária, passou a representar o medo cotidiano da população.
Diante dos cinco homicídios registrados em menos de uma semana, a cobrança recai sobre as autoridades municipais, estaduais e federais. A população clama por ações concretas, como reforço do efetivo policial, investigações céleres e políticas de prevenção que possam conter o avanço do crime organizado.
Enquanto isso não acontece, Itaperuna segue convivendo com uma rotina marcada por mortes violentas, investigações inconclusas e a dura sensação de que a vida perdeu valor diante da ausência de respostas do poder público.
Veja pelo link gráfico dos homicídios no município:
Linha do tempo da violência em Itaperuna – uma semana de homicídios sem solução
📍Sexta-feira (27/09)
Um homem é encontrado morto a tiros em uma estrada vicinal na zona rural de Itaperuna. O corpo apresentava sinais de execução. Nenhum suspeito identificado.
📍 Sábado (28/09)
Morador do bairro Surubi é assassinado dentro de casa por homens encapuzados. A vítima teria antecedentes criminais, mas a autoria permanece desconhecida.
📍 Domingo (29/09)
Na madrugada, um jovem é morto a tiros no bairro Aeroporto. O crime ocorreu em via pública e testemunhas não quiseram falar com a polícia por medo de represálias.
📍 Terça-feira (01/10)
Outro homicídio é registrado no bairro Cidade Nova. A vítima foi surpreendida por disparos de arma de fogo enquanto caminhava. Investigação não aponta motivação.
📍 Quinta-feira (02/10)
Guilherme Leite Quadros, de 19 anos, é executado dentro de uma lanchonete na Praça Carlito Crespo Martins (Cehab). Dois homens em uma moto invadiram o local e efetuaram disparos. O jovem morreu na hora. Caso registrado como possível acerto ligado à disputa entre facções.
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