Cresce a Violência Contra Jovens em Itaperuna: População Denuncia Descaso do Poder PúblicoItaperuna (RJ) — O município de Itaperuna, no Noroeste Fluminense, enfrenta uma crescente onda de violência que atinge, de forma alarmante, a juventude local. Com uma taxa de homicídios que ultrapassa a média nacional, a cidade vive uma crise de segurança pública, marcada por assassinatos não resolvidos, falta de monitoramento e respostas tímidas do poder público.Em 2022, Itaperuna registrou 36 mortes violentas, resultando em uma taxa de 35,6 homicídios por 100 mil habitantes — índice que colocou a cidade entre as mais violentas do estado do Rio de Janeiro. Em 2024, o cenário pouco mudou: até julho, já eram 22 homicídios contabilizados, incluindo casos brutais envolvendo jovens.Entre os casos mais emblemáticos está o de dois jovens, de 27 e 28 anos, assassinados a tiros em menos de 24 horas, em bairros distintos. Em outro episódio recente, três jovens de Itaperuna foram encontrados executados dentro de um veículo, na praia do Sossego, em São Francisco de Itabapoana. Os crimes, além de chocarem a população, permanecem sem solução.A falta de resposta efetiva das autoridades tem gerado indignação entre os moradores, que denunciam o abandono da juventude por parte do poder público. Para muitos, a ausência de políticas de prevenção e o enfraquecimento da atuação policial contribuem diretamente para o aumento da criminalidade.Executivo e Legislativo em SilêncioApesar da gravidade da situação, a atuação do poder executivo tem sido considerada insuficiente. A Prefeitura criou em 2025 a Secretaria Municipal de Segurança Pública, com a promessa de fortalecer a Guarda Civil Municipal e promover ações educativas. No entanto, especialistas e moradores afirmam que a medida chegou tarde e ainda não produziu os resultados esperados.”Não basta colocar a guarda na rua ou fazer palestra em escola. A juventude está sendo assassinada e ninguém é responsabilizado. Isso é reflexo de um abandono estrutural”, comenta um morador do bairro Cehab, que preferiu não se identificar por medo de represálias .O prefeito Nel Medeiros tem sido criticado por sua postura discreta frente ao problema. Até o momento, não há pronunciamentos contundentes nem políticas públicas concretas voltadas especificamente à segurança de jovens e adolescentes em situação de vulnerabilidade.Já a Câmara Municipal de Itaperuna também tem sido alvo de críticas pela omissão diante da crise. Não há registros de audiências públicas, comissões de investigação ou projetos legislativos voltados ao enfrentamento da violência juvenil. A população cobra mais empenho dos vereadores, que, em sua maioria, mantêm silêncio sobre o tema.A Juventude Paga a ContaEspecialistas alertam que a falta de investimento em educação, cultura, esporte e oportunidades de trabalho empurra os jovens para contextos de vulnerabilidade, onde o tráfico de drogas e a violência se tornam presenças constantes. A ausência do Estado, em suas múltiplas formas, amplia a sensação de abandono e revolta nas periferias.“O jovem de Itaperuna está exposto à violência sem qualquer rede de proteção. O poder público está falhando em sua função mais básica: garantir o direito à vida”, afirma uma assistente social que atua em escolas públicas do município.Enquanto o número de vítimas cresce, a cidade se vê acuada pelo medo e pela impunidade. Para a população, é urgente que a violência contra jovens seja tratada como prioridade absoluta, com ações integradas entre governo, sociedade e forças de segurança.Enquanto a violência cresce, a atuação da Câmara de Vereadores de Itaperuna também é alvo de críticas. Não há registro de comissões parlamentares voltadas à segurança pública, tampouco audiências para ouvir a população afetada. Projetos de lei com foco em políticas de proteção à juventude ou prevenção à criminalidade praticamente inexistem no Legislativo municipal.Para analistas e lideranças locais, essa omissão contribui para a continuidade do problema. “O Legislativo tem a obrigação de fiscalizar, cobrar do Executivo, propor soluções. O que temos visto é um silêncio institucional vergonhoso”, afirma um advogado e ativista de direitos humanos que acompanha casos de violência urbana no município.

Por Nathália Schuwartz


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